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| Table of contents |
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2 A formação do feudalismo 3 A Sociedade Feudal 4 Economia e Propriedade 5 Ascensão e queda do sistema |
Introdução
No final do Império Romano, como conseqüências das inúmeras guerras de conquista, várias regiões da Europa apresentam baixa densidade populacional e desenvolvimento urbano bastante pobre. Essa situação favoreceu sensivelmente as mudanças sociais que vão sendo introduzidas pelas invasões germânicas do século V, e que alteram completamente o sistema de propriedade comunal e estatal característico da Antigüidade. É o Feudalismo que vai se desenvolvendo pelo continente europeu, consolidando-se definitivamente ao término do Império Carolíngio (século X).
A formação do feudalismo
Europa Ocidental: Os germanos ocupam a Europa Ocidental e para lá levam seus hábitos, costumes, leis. O longo período entre os séculos V e IX é de transição entre o Antigo Escravismo e o Feudalismo. Nesse período, o comércio, já\ndecadente desde a crise do Império Romano do Ocidente, declina ainda mais. As cidades desaparecem ou reduzem suas atividades. Apenas as cidades italianas, como Veneza e Gênova, mantêm o comércio a longa distância através do mar mediterrâneo. A economia é agrária, voltada para o consumo.
Oriente: No Mediterrâneo oriental, o Império Romano do Oriente teve continuidade com o nome de Império Bizantino, que desenvolveu um intenso comércio e só desapareceu no século XV, quando sua capital, Constantinopla, foi ocupada pelos turcos. Surge também no Oriente um outro império, o Império Árabe, Muçulmano ou Islâmico, que tem sua origem na Arábia no século VII, e se expande para o Oriente, ocupando a Pérsia, a Síria e o Egipto, e para o Ocidente, ocupando o norte da África e chegando até a Península Ibérica, na Europa. O Império Árabe também desenvolveu intensa atividade comercial.
Transformações da sociedade feudal (séc. XII e XIII) na Europa Ocidental - A Europa procura conquistar territórios no Oriente, por meio das Cruzadas. As antigas cidades européias começam a renascer. Desenvolve-se o comércio. A sociedade feudal começa a se transformar.
A Sociedade Feudal
A sociedade feudal era composta por dois estamentos (dois grupos sociais com status fixo) : os senhores feudais e os servos. Os servos, constituídos pela maior parte da população camponesa, presos à terra e sofrendo intensa exploração, eram obrigados a prestar serviços ao senhor e a pagar-lhe diversos tributos em troca da permissão de uso da terra e de proteção militar. Embora a vida dos camponeses fosse miserável, a palavra "escravo" seria imprópria.
As principais obrigações servis consistiam em: \n*Corvéia: trabalho gratuito nas terras do senhor em alguns dias da semana.\n*Talha: porcentagem da produção das tenências.\n*Banalidade: tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do senhor, como o moinho, o forno, o celeiro, as pontes.\nCapitação: imposto pago por cada membro da família servil (por cabeça)\n*Tostão de Pedro: imposto pago à igreja, utilizado para a manutenção da capela local.
Economia e Propriedade
O modo de produção feudal próprio do Ocidente europeu tinha por base a economia agrária, amonetária, não-comercial, auto-suficiente. A propriedade feudal pertencia a uma camada privilegiada, composta pelos senhores feudais, altos dignitários da Igreja (o clero) e longínquos descendentes dos chefes tribais germânicos.
A principal unidade econômica de produção era o feudo, que se dividia em três partes distintas: a propriedade privada do senhor chamada, manso senhorial ou domínio, no interior da qual se eregia um castelo fortificado; o manso servil, que correspondia à porção de terras arrendadas aos camponeses e era dividido em lotes denominados tenências; e ainda o manso comunal, constituído por terras coletivas – pastos e bosques - , usadas tanto pelo senhor quanto pelos servos.
Devido ao catáter expropriador do sistema feudal o servo não se sentia estimulado a aumentar a produção com inovações tecnológicas – porém não para si, mas para o senhor. Por isso, o desenvolvimento técnico foi irrelevante, limitando a produtividade. A principal técnica adotada foi a agricultura dos três campos que evitava o esgotamento do solo, mantendo a fertilidade da terra.
Ascensão e queda do sistema
O feudalismo europeu apresenta, portanto, fases bem diversas entre o século IX, quando os pequenos agricultores são impelidos a proteger-se dos inimigos junto aos castelos, e o século XIII, quando o mundo feudal conhece seu apogeu, para declinar a seguir.
No século X, o sistema ainda está em formação e os laços feudais Unem apenas os proprietários rurais e os antigos altos funcionários Carolíngios. Entre os camponeses ainda há numerosos grupos livres, com propriedades independentes. A hierarquia social não apresenta a rigidez que a caracterizaria posteriormente, e a ética feudal não está plenamente estabelecida.
Entretanto, a partir do ano 1000, até cerca de 1150, o Feudalismo entra em ascensão. O sistema define seus elementos básicos. A exploração camponesa torna-se intensa, concentrada em certas regiões superpovoadas, deixando áreas extensas de espaços vazios. Surgem novas técnicas de cultivo, novas formas de utilização dos animais e das carroças. Porém a partir do século XI, também há um renascimento do comércio e um aumento da circulação monetária, o que valoriza a importância social das cidades e suas comunas. E, com as cruzadas, esboça-se uma abertura para o mundo, quebrando-se o isolamento do feudo. Com o restabelecimento do comércio com o Oriente próximo e o desenvolvimento das grandes cidades, começam a ser minadas as bases da organização feudal, na medida em que aumenta a demanda de produtos agrícolas para o abastecimento da população urbana. Isso eleva o preço dessas mercadorias, permitindo aos camponeses maiores fundos para a compra de sua liberdade. A o mesmo tempo, a expansão do comércio e da indústria cria novas oportunidades de trabalho, atraindo os servos para as cidades.
Esses acontecimentos, aliados à formação dos exércitos profissionais, à insurreição camponesa, contribuíram para o declínio do feudalismo europeu. Na França e na Itália, seu desaparecimento começa a manifestar-se no final do século XIII. Na Alemanha e na Inglaterra, entretanto, ele ainda permanece mais tempo, extinguindo-se totalmente na Europa ocidental por volta de 1500. Na Europa central e oriental, porém, alguns remanescentes resistem até meados do século XIX.\n