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A obra Histórias foi frequentemente acusada no velho mundo de influenciável, imprecisa e plagiária. Ataques semelhantes foram preconizados por alguns pensadores modernos, que defendem que Heródoto exagerou na extensão das suas viagens e nas fontes criadas. Contudo, o respeito pela seu rigor tem aumentado na última metade do século, sendo actualmente reconhecido não apenas como pioneiro na história, mas também na etnografia e antropologia.
Publicado entre 424 e 430 a.c., Histórias foi dividido em 9 livros, intitulados segundo os nomes das musas, pelos últimos editores. Os primeiros seis relatam o crescimento do Império Persa. Começam com uma introdução do primeiro monarca asiático a conquistar as cidades-estado gregas e o verdadeiro tributo, Croesus de Lydia. Croesus perdeu o reinado para Cyrus, o fundador do Império Persa. As primeiras seis obras acabam com a derrota dos persas em 490 a.c., na Batalha de Maratona, que constituiu o primeiro retrocesso no progresso imperial.
Os últimos três livros descrevem a tentativa do rei persa Xerxes, de vingar, dez anos mais tarde, a derrota persiana em Maratona e absorver a Grécia no Império Persa. Histórias acaba em 479 a.c, com a expulsão na Batalha de Plataea e o recuo da fronteira do Império Persa para a linha costeira da Ásia Menor.
No que diz respeito à vida de Heródoto, sabe-se que foi exilado de Halicarnasso após um golpe de estado frustado contra a dinastia no poder na qual estava envolvido, retirando-se para a ilha de Samos. Parece nunca ter regressado a Halicarnasso, embora em Histórias, pareça sentir orgulho da sua cidade e da respectiva rainha, Artemisia. Deve ter sido durante o exílio que empreendeu as viagens que descreve em Histórias. Estas viagens conduziram-no ao Egipto, Primeira Catarata, Babilónia, Ucrânia, Itália e Sicília. Heródoto refere uma conversa com um informador em Esparta, e muita certamente terá vivido durante um determinado período em Atenas. Nesta registou as tradições orais das famílias proeminentes, em especial, a Alkmaeonidai, à qual Pericles pertencia do lado materno. Mas os Atenienses não aceitavam os estrangeiros como cidadãos, e quando Atenas apoiou a colónia de Thurii na aniquilação de Itália em 444 a.c., Heródoto tornou-se colono. Desconhece-se se lá morreu ou não.
Numa determinada altura tornou-se um logios – isto é, um recitador de prosa logai ou histórias – cujos temas baseavam-se em contos de batalhas, maravilhas de países distantes e outros acontecimentos históricos. Fez roteiros das cidades gregas e dos maiores festivais atléticos e religiosos, onde dava espectáculos pelos quais esperava pagamento. Em 431 a.c., a guerra Peloponésia rebentou entre Atenas e Esparta. Poderá ter sido esse conflito, que dividiu o mundo grego, que o inspirou a reunir “logoi” numa narrativa contínua – Histórias – centrada no progresso imperial da Pérsia interrompida pela aliança entre Atenas e Esparta.
Para informações adicionais:
As traduções de Histórias já estão disponíveis na série Penguin Classics, porA. de Selincourt, e na série Modern Library, por G. Rawlinson.
Evans, J. A. S. Herodotus. Boston: G. K. Hall, 1982.
---. Herodotus, Explorer of the Past: Three Essays. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1991.
Flory, Stewart. The Archaic Smile of Herodotus. Detroit: Wayne State University Press, 1987.
Hartog, F. The Mirror of Herodotus. Berkeley, CA: University of California Press, 1988.
Lateiner, D. The Historical Method of Herodotus. Toronto: University of Toronto Press, 1989.
Pritchett, W. K. The Liar School of Herodotus. Amsterdam: Gieben, 1991.
Divulgado em 01/11/2000; revisto e aprovado pelo grupo Classics; editor Robert Dyer; revisor -coordenador Carl A. Anderson; editores de redacção coordenadores Larry Sanger e Cindy Seeley .
Autor inicial:James Allan Evans
Tradução de Vânia Relvas
Para fins de citação, utilizar o seguinte URL: www.nupedia.com/article/390/