Para quem ama a música - conto de Axel Munthe
Ajustei-o por um ano. Vinha duas vezes por semana repassar todo o\nrepertório; e ultimamente, levado por uma simpatia pessoal, repetia\nsempre o Miserere do Il Trovatore. E ficava ali parado na rua, enquanto\ntocava, olhando fixamente para a minhas janelas; quando acabava, tirava o\nchapéu com um Addio, Signor.
Ninguém ignora que o realejo é como o violino: quanto mais velho, mais\nagradável é o som. Era excelente o instrumento do velho artista; não desse\ntipo moderno e barulhento, que imita toda uma orquestra, com flautas, e\ncampainhas, e rufo de tambores; mas um realejo antiquado e melancólico,\nque sabia emprestar um misterioso encanto ao allegretto mais vivo, e em\ncujo. tempo di marcia, por mais brioso que fosse, cantava sempre o som\nplangente de inconfundível resignação. E nos trechos mais ternos do\nrepertório, onde a melodia, velada e vacilante como a voz de um velho\ncantor de rua, se arrastava pela garganta enferrujada da soprano, havia um\ntrêmulo nos graves, que lembrava soluços abafados.
De vez em quando a voz do fatigado instrumento falhava por completo; e\nentão o velho continuava a mover ainda a manivela nalguns compassos de\nespera, mais tocantes do que qualquer música no seu silêncio eloqüente.
Certo, grande parte.da responsabilidade cabia ao próprio instrumento, mas\no velho lá tinha o seu quinhão pessoal na tristeza que me afligia sempre\nque lhe ouvia a música.
Tinha ele seu pouso no quarteirão pobre que fica por detrás do Jardin des\nPlantes, e muitas vezes, nas minhas solitárias excursões por ali, parei e\nincorporei-me ao escasso auditório de guris esfarrapados que o cercava.
Travamos conhecimento num sombrio e nevoento dia de outono. Sentara-me num\nbanco, debaixo de algumas árvores despojadas, que em vão tinham tentado\nalegrar a sombria praça com um veranico, mas que não tiveram outro remédio\nsenão deixar as folhas caírem. E, qual melancólico acompanhamento a meus\ndevaneios, o velho realejo, no beco próximo, tossia a ária do último ato\nda Traviata: Addio del passato bel sogni ridenti.
Estremeci quando cessou a música. O velho tinha esgotado o repertório, e\ndepois de uma inspeção sem esperança ao auditório, metera refinadamente a\nmacaca debaixo do manto e preparava-se para ir embora
Sempre gostei de realejos e meu ouvido distingue perfeitamente a música\nque é boa da que não é. Levantei-me e agradeci-lhe pedindo-lhe que tocasse\nmais um pouco, a menos que já estivesse com o braço muito cansado. Acho\nque os louvores não tinham sido tantos que dessem para convence-lo, pois\nolhou para mim com uma expressão triste e incrédula,\nque me penalizou; e hesitante, meio acanhado perguntou-me se tinha\npredileção especial por algum trecho. Deixei-lhe a escolha.\nDepois de uma manipulação misteriosa de alguns. parafusos debaixo do\nrealejo, que respondia com alguns resmungos abafados, lá, das suas\nprofundezas, começou ele a rodar a manivela, lentamente, com certa\nsolenidade.\nOlhando-me amavelmente disse:\n - Questo é per gli amici
Era uma ária que jamais o ouvira tocar; mas eu conhecia bem aquela doce e\nvelha melodia; fui procurando a meia-voz, na memória as palavras do canto\npopular, talvez, mais belo de Nápoles:
- Fenestra che luciva e mò non luce \n:Segn'è ca Nerina mia stace malata\n:S'affaccia la sorella e me lo dicé: \n:Nennella toja è morta e s'è aterrata\n:Chiagneva sempe ca dormeva sola \n:Mò dorme in distinta compagnia.
Olhava para mim com acanhamento e com certo interêsse enquanto tocava; \nquando acabou, descobriu a cabeça grisalha.\nRetribuí-lhe a saudação: estava feito o nosso conhecimento.
Não era difícil adivinhar que iam duros os tempos - as roupas do velho\neram duvidosas, e suas faces mirradas tinham o\npalor da pobreza: podia-se ler nelas toda a história de uma longa vida de\nderrotas.
Viera das montanhas próximas ao Monte Casino; agora, de onde Ihe caíra\naquele mono, não cheguei jamais a saber.
Encontrávamos-nos de tempos a tempos, durante minhas perambulações pelos\nbairros pobres. Sempre que eu tinha um momento de folga, parava a escutar\numa ou duas árias, pois via que isso alegrava o velho; e como levava\nsempre no bolso um torrão de açúcar para o caso de encontrar algum cão\nconhecido, logo fiz amizade também com a macaca .
Eram de uma cordialidade fora do comum as relações entre o animalzinho e\nseu empresário; e isso apesar de macaca haver\nfrustrado por completo todas as esperanças que ele depositara nela: nunca\nfora capaz de aprender, disse-me o velho, uma só habilidade. Tinham sido\npois: abandonadas há muito todas as tentativas de educação, e ela ali\nficava amontoada sobre a realejo, sem nada, nada fazer absolutamente.\nTinha uma expressão triste, como a maior parte dos animais, e seus\npensamentos vagueavam por longe. Mas de vez em quando acordava de seus\nsonhos; luzia-Ihe então nos olhos \numa expressão desconfiada, quase diria maliciosa, ao ver alguns dos guris\nda rua que se reuniam ao redor de sua tribuna, tentando puxar-Ihe pelo\nrabo, que emergia debaixo da jaqueta vermelha, com galões dourados. Comigo\nera sempre amável; deixava, confiante, na minha a mão rugosa, e aceitava\ndisplicentemente as pequeninas atenções que eu lhe dispensava. Era louca\npor doces, e na sua opinião as amêndoas torradas eram a coisa mais\napetitosa do mundo.
Reconhecendo seu amigo musicista na sacada do Hôtel de l'Avenir, vinha o\nvelho muitas vezes tocar debaixo de minhas janelas. Afinal fizemos um\najuste: ele viria tocar regularmente duas vezes por semana. Talvez pareça\nisto um desperdício, para um estudante de medicina, mas o velho era tão\nmoderado nos preços, e eu sempre gostei tanto de música ! ...\nAlém disso, era a minha única distração, pois nessa época trabalhava com\nempenho para receber o grau na primavera.
Passou assim o outono, e chegou o tempo difícil. Os ricos estreavam as\nmodas novas daquele inverno e os pobres tremiam de frio. Às mãos bem\nenluvadas repugnava cada vez mais deixar o quente regalo ou o bolso\nforrado de pele para tirar um tostão; e era cada vez mais desesperada a\nluta pelo pão, entre as problemáticas existências da rua. Em frente às\njanelas irremediavelmente cerradas do pátio, harpistas, Zampognar , e\nviolinistas executavam, sem que ninguém lhes desse atenção, os mais\naliciantes trechos de seu repertório - La bella Napoli e Santa Lucia,\nenquanto dedos entorpecidos tangiam a guitarra, e a irmãzinha, tremendo de\nfrio, batia no pandeiro. Em vão o velho cantor ambulante cantava, com\nrouquenha veemência, o canto de La Gloire e de La Patrie; e em vão meu\namigo tocava aquela peça per gli amici - os flocos de neve caíam cada\nvez mais densos sobre as humildes cabeças nuas, e os cobres cada vez mais\nescassos nos chapéus estendidos.
De vez em quando encontrava meu amigo, e sempre tínhamos uma palavra\namável a trocar. Andava agora envolvido em um velho capote de pano de\nAbruzzi, e notei que quanto mais aumentava o frio, mais rápido era o tem~o\nem que executava as suas peças; e lá para dezembro até o Miserere era\ntocado em Allegretto.
Andava agora a macaca à paisana; envolvia-lhe o frágil corpinho um\nsobretudo comprido, como usam os ingleses; mas mesmo assim, vivia sempre\ngelada, e, esquecida de toda a etiqueta, cada vez mais freqüentemente\ndescia do realejo abaixo, e ia se esconder debaixo da capa do velho.
E, enquanto assim padeciam ali ao rigor do frio, eu, bem acomodado no\nmeu quarto confortável e bem aquecido, em vez de ajudá-los, esquecia-os de\ntodo, completamente absorvido pelo meu exame próximo - em mais ninguém\npensava, senão em mim mesmo.
Um dia, porém, deixei meu alojamento e mudei-me para o Hôtel-Dieu, para\nsubstituir um colega, e passaram-se muitas semanas sem que pusesse o pé na\nrua. Lembro-me perfeitamente, foi exatamente no dia de Ano Bom que\ntornamos a nos encontrar. Ia atravessando a praça de Notre-Dame,\njustamente ao findar a missa, e o povo vinha saindo da velha catedral.\nComo de costume, extensa fila de pedintes estacionava diante da- porta, a\nimplorar a caridade dos fiéis . O rigor do inverno aumentara-lhe o número,\ne além dos mendigos habituais, cegos e coxos, que estavam sempre junto ao\npórtico, recitando em altas vozes a história de seu infortúnio, havia a\nmais um cordão silencioso de recrutas acidentais da Pobreza - míseras\ncriaturas, cujo pão quotidiano a neve sepultara, e cuja altivez o frio\nafinal entorpecera.
Ao fim da fila, e a certa distância dos outros, estava um velho de cabeça\nbaixa, com o chapéu estendido; e nele reconheci, com penosa surpresa, o\nmeu amigo . Já não tinha, por sobre o velho casaco no fio, a capa de pano\ndos Abruzos; já não tinha o realejo, já, não tinha a macaca. Meu primeiro\nimpulso foi ir ter com ele; mas não sei que sentimento indefinível me\ntolheu, e fiquei no mesmo lugar.. Senti que corava, e não me movi. De vez\nem quando um passante parava por um momento, fazendo que rebuscava nos\nbolsos; mas não vi cair no chapéu do velho um só vintém.
Foi ficando deserta a praça, e os mendigos, um por um, foram saindo com\nsua magra coleta. A ultima pessoa a sair da igreja foi uma criança,\nconduzida por um cavalheiro de luto. Ela apontou para o velho, e depois\ncorreu para ele, deixando-lhe uma moeda de prata no chapéu. O velho\ncurvou-se humildemente, agradecendo; e na minha abstração de espírito,\nestive quase a agradecer também à pequenina doadora, de tão contente que\nfiquei.\nMeu amigo enrolou cuidadosamente o precioso dom em um lenço velho, e,\nandando como se ainda carregasse o realejo às costas, retirou-se. Ora,\nnaquela manhã eu estava completamente livre, e achei que um pequeno\npasseio antes do almoço ajudaria a dissipar a atmosfera do hospital;\nsegui-o pois vagarosamente, atravessando o Sena.Uma ou duas vezes estive\nquase a alcança-lo, a bater-lhe no ombro, dizendo-Ihe: Buon giorno, Don\nGaetano ! Mas, sem que eu soubesse exatamente porque, recuava no último\nmomento, deixando-o afastar-se alguns passos de mim outra vez.
Soprava direito contra nós um ventinho gelado, e eu ajustava bem ao corpo\nmeu casaco de pele. Mas de repente dei por mim a perguntar a mim mesmo\nporque, afinal, era eu dono de um casaco quente e confortável, enquanto\naquele velho que ia adiante de mim não tinha mais que uma velha jaqueta,\njá toda gasta ? E porque seria para mim aquele almoço que me esperava, e\nnão para ele ? Porque havia eu de encontrar no meu quarto tão agradável um\nfogo vivo, enquanto o velho tinha de vaguear pelas ruas o dia inteiro,\npara ganhar seu sustento ? E à. noite voltaria à casa, para o seu\nmiserável grabato, e; desprotegido contra o frio da noite agreste,\npreparar-se para a luta pelo pão no dia seguinte?
E percebi de repente porque corara quando o vi em Notre Dame, e porque não\npude me resolver a ir falar-Ihe. Senti-me envergonhado diante daquele\nvelho, sentia-me envergonhado de ver que a vida era tão injustamente\ngenerosa comigo, e tão severa com ele. Pareceu-me que lhe tinha tomado\nalguma coisa, que devia restituir-lhe. E comecei a perguntar comigo mesmo\nse seria o casaco de pele. Mas não fui além em minhas cogitações, porque o\nvelho parou a olhar para uma vitrina . Tínhamos atravessado a Praça\nMaubert, e entrado no Boulevard St. Germain; estava cheio de gente, de\nmodo que, sem ser visto, pude aproximar-me muito dele. Estava parado\ndiante de uma bela confeitaria elegante, e, com grande surpresa, vi-o\nentrar sem hesitação. Tomei posição diante da vitrina, ao pé de alguns\nárabes que tiritavam, absortos na contemplação das inatingíveis gulodices\nque viam lá dentro; e olhei e vi o velho desamarrar cuidadosamente o\nlenço e depor o dom da menininha sobre o balcão. Mal tive tempo de voltar\natrás, e já ele saía com um saco de papel vermelho, cheio de doces; e com\npassos rápidos afastou-se na direção do Jardim das Plantas.\nMuito admirado de tudo aquilo, e muito curioso, segui-o . Foi indo mais\ndevagar para um dos becos por detrás do Hospital de la Piété, e vi-o\ndesaparecer em uma casa velha e suja. Esperei fora um ou dois minutos, e\ndepois meti-me pela entrada escura, subi uma escada imunda, até dar com\numa porta levemente entreaberta.
Um quarto escuro e gelado; no meio três criancinhas esfarrapadas\namontoavam-se ao redor de um braseiro meio extinto; a um canto a única\npeça de mobília que havia uma cama de ferro, limpa. Pendurados á, parede,\nacima da cama, um crucifixo e um rosário, e perto da janela uma imagem da\nMadonna adornada de alegres flores de papel: eu estava na Itália, na minha\npobre Itália exilada . E no mais puro toscano, a mais velhinha das irmãs\ninformou-me que Dom Gaetano morava no sótão .
Subi e bati, mas como ninguém respondeu, abri a porta . Um fogo vivo\niluminava o quarto . De costas para a porta, e de joelhos diante da\nestufa, Dom Gaetano mantinha uma caçarola sobre o fogo; ao pé dele, no\nchão, um velho colchão, sobre o qual vi estendida a capa de lã, tão minha\nconhecida, e ali perto, espalhadas em um jornal, várias gulodices - uma\nlaranja, nozes, e uvas, e o saco de papel vermelho. Dom Gáetano derramou\num bocadinho de açúcar na caçarola, mexeu com uma varinha, e disse, com\nvoz persuasiva :
- Che bella roba, che bella roba, quanto è buono questo latte com lo\nzucchero ! Non piange anima mia, adesso siamo pronti ! \n{Que lindas,lindas. coisas! E que bom é este leite com açúcar! Não chores, alma minha\n... já está pronto !}
De dentro da capa veio um leve sussurro, e uma mãozinha negra estendeu-se\npara o saco de papel encarnado .
- Primo il latte, primo il latte \n{Primeiro o leite, primeiro o leite.} - advertiu o velho.
Arrependendo-se, tirou do saco uma grande amêndoa torrada.\n - Non importa, piglía tu una. \n{Não importa, toma uma!}\nDesapareceu a mãozinha preta e de baixo da capa vinha agora um ruído de\nmastigação.
Don Gaetano despejou o leite quente em um pires, e levantou cuidadosamente\numa ponta da capa . Ali jazia a coitadinha da macaca, com o peito opresso\ne os olhos febrís . A carinha tinha minguado muito, e tinha uma cor\ncinzenta esverdeada . O velho ergueu-a, sentou-a nos joelhos, e com tanta\nternura. como uma mãe o faria, foi-lhe dando umas colheradas do leite\nquente. Ela olhava com indiferença para as gulodices, e, distraída,\npassava os dedos pela barba do seu senhor. Estava tão cansada que mal\npodia manter a cabeça erguida, e tossia de vez em\nquando, sacudindo todo o corpinho franzino: então levava ambas as mãos ás\ntêmporas. Dom Gaetano sacudiu tristemente a cabeça, e tornou a deitar a\ninválida com o maior cuidado, cobrindo-a com a capa.
Ao ver-me, corou levemente. Disse-Ihe que ia passando quando ele entrara,\ne que tomara a Iiberdade de segui-lo lá acima, para dar-lhe os bons dias\ne meu novo endereço - na esperança de que fôsse tocar para mim, como\ndantes. Dizendo isto, olhei sem querer ao redor, à procura do realejo, e\nDom Gaetano que compreendeu, explicou-me que agora já não tocava\nrealejo, agora cantava. Olhei para a pilha preciosa de lenha, junto do\nfogão; para o cobertor novo, pendurado diante da janela, para aparar as\ncorrentes de ar; para as gulodices espalhadas sôbre o jornal e também\ncompreendi.
A mona tinha adoecido há três semanas. - La febre, explicou o velho .\nAjoelhamo-nos ambos, um de cada lado da cama, e o animal doente olhou-me\ncom uma muda súplica. Tinha o focinho quente, como acontece com as\ncrianças e cães doentes, a cara enrugada como a de uma mulher muito, muito\nvelha, e nos olhos transparecia-Ihe uma expressão perfeitamente humana. A\nrespiração era muito curta, e ouvíamos distintamente os roncos da\ngarganta. Não era difícil o diagnóstico - consumpção .\nDe vez em quando eIa estendia os finos bracinhos, como se implorasse\nsocorro, e Dom Gaetano pensava que ela o fazia porque queria que a\nsangrássemos . {Na Itália, as classes mais baixas ainda usam a sangria\npara toda a espécie de doença, e esse tratamento estende-se também aos\nanimais. Vi em Nápoles um mono que foi sangrado duas vezes.}
A pesar de, em princípio, ser contrário a este tratamento, de boa vontade\no faria se achasse, neste caso, que daí adviria algum benefício. Mas\nsabia perfeitamente que era pouco provável, e procurei fazer Dom Gaetano\ncompreendê-lo. Infelizmente, nem eu mesmo sabia o que se havia de fazer.
Naquele tempo, tinha um amigo entre os guardas da casa dos macacos do\n"Jardin des Plantes", e na mesma noite fui busca-lo para ver a macaca.\nDisse que era um caso desesperado: .... nada a fazer!\nE tinha razão . Ainda por uma semana inteira ardeu o fogo no sótão de Dom\nGaetano, depois deixaram-no apagar, e o lar do velho voltou a ser tão\nescuro e frio como dantes .
E' certo que ele tirou o realejo da casa de penhores, e de vez em quando\nlá Ihe caía um níquel no chapéu. Não morreu de fome - e era tudo o que\npedia à vida. Veio a primavera; saí de Paris. E Deus sabe o que foi feito\nde Dom Gaetano!
Se acaso algum dia ouvires um velho e melancólico realejo tocar no pátio,\nnão o mandes embora com rudeza ! ... vai à janela e dá um tostão ao pobre\nmúsico ambulante -- quem sabe não é Dom Gaetano !\n----\n/Talk\n